quinta-feira, junho 30, 2011

Reprodutibilidade e Pirataria

O grande astro do Cinema mundial foi Charles Spencer Chaplin mais conhecido como Charlie Chaplin, ele foi ator, diretor e produtor de grandes filmes e foi principal contribuinte da sétima ARTE – O CINEMA. Charlie, no filme “O Ditador” discursa:

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Ele estava falando do início das revoluções das máquinas, quando a produção em massa estava tomando seu espaço.

Walter Benjamin fala sem seu texto “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” sobre a fotografia e o filme, as novas formas de arte nos anos de 1930, e nem de longe imaginava, talvez, sobre o que vivemos hoje como reprodutiblidade técnica da sétima arte.


Entende-se por pirataria a reprodução, venda e distribuição de produtos sem a devida autorização e o pagamento dos direitos autorais.

Segundo Benjamin, “A obra de Arte, por princípio, sempre foi suscetível de reprodução. O que alguns homens fizeram podia ser feitos por outros. Assistiu-se, em todos os tempos, à discípulos copiarem obras de arte, a titulo de exercício, os mestres de reproduzirem-nas a fim de garantir a difusão e aos falsários imitá-las com o fim de extrair proveito material.”

“A pirataria é um fenômeno mundial que cresce intensamente, por despertar o interesse do consumidor através de um relevante atrativo: preços abaixo do mercado, que não permitem a concorrência entre os produtos falsificados e aqueles oferecidos pelo mercado legal.“

“constitui crime previsto na Lei nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 do Código Civil e no Art., 184 parágrafos 1º e 2º do Código Penal Brasileiro, sujeito o infrator a penas de 1 a 4 anos de retenção.

Walter Benjamim e Charlie Chaplin colocaram o assunto em foco muito antes da pirataria que existe hoje existir e falaram muito bem do modo como ser humano reproduz, às vezes, indevidamente a obra de arte. Chaplin nem falou desse assunto, mas falou da produção em massa e Benjamim falou sobre o que isso traz para o mundo das artes.

A reprodução em massa de DVDs piratas trazem prejuízos de milhões por ano para as indústrias cinematográficas, pois com a não venda dos filmes e a reprodução pirata muito dinheiro é perdido, pois os piratas são 93% mais baratos que os originais. Além da violação de direitos autorais, o que caracteriza como crime é que as mídias são manipuladas com programas de computador, que por sua vez, também são pirateados, para desbloquear os “Compacts Discs”. E o texto do Chaplin se encaixa bem quando diz que “A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.” A tecnologia moderna nas mãos de pessoas erradas tem deixado o mundo em parafuso. Não é difícil ver, ao sair na rua, bancas de filmes piratas, por vezes, nem saíram do cinema. A qualidade é sempre inferior, mas se tem quem compre é um motivo para não deixar de produzir, ou nesse caso, reproduzir. E a população, em sua maioria não está se importando com quem fez, quem foi pago ou não, até porque o dinheiro da produção cinematográfica enriquece uma minoria. Então, se estão ficando ricos fazendo cinema, por que não dividir com a pirataria? E ainda difundir a sétima arte? Hollywood não ficará menos rica, deixará de lucrar mais. Até porque os cinemas ainda são as “salas culturais” mais freqüentadas.

O grande problema é que o lucro vai para as mãos do tráfico, dos bandidos, não vai pras mãos do governo nem dos grandes empresários. Mas ainda assim, a sétima arte está sendo difundida. Por mal ou por bem.

Até onde o certo e o errado entram nessa questão?

No decorrer do discurso de Chaplin ele fala sobre a igualdade e o direito de todos assim como para Benjamin, com a perda da aura se destrói a unicidade e a singularidade da obra de arte, mas ao perder seu valor de culto, o seu valor de exposição se intensifica. A obra adquire então uma nova característica: ela se torna acessível a todos. E ganha um novo valor: o valor de consumo.

Será de que Chaplin, com sua ideologia, se importaria com a reprodução pirata de suas obras?

Imagino que não. Quando uma obra de arte é feita por ideologia é feita pra ser difundida a qualquer preço. Assim como são impressões milhares de santinhos, esculturas para oração das mais diversas religiões, a arte quando pensada ideologicamente é reproduzida para difusão de seus ideais. No cinema não é diferente, se um filme é feito para ser exposto, para idéia de profusão de pensamentos ele deve ser difundido gratuitamente para as massas. É claro que há custos, assim como há custos para produção de outros objetos artísticos, toda via, não se pode impedir o acesso à obra de arte, nesse caso, o filme.

Se por um lado a obra de arte precisa ser distribuída para as massas com custos, esses deveriam ser mínimos. Os produtores querem lucrar com suas obras, assim como pintores famosos. Eles não estão errados. Mas quem acaba pagando o preço mais alto é a população que carece de cultura, que precisa da arte e que se corrompe pela possibilidade de ter arte acessível por um preço menor.

Entendendo o que a arte é para sociedade e o que ela pode fazer pela mesma, dever-se-ia entrar em acordo todos os meios de produção, para que a arte seja acessível e própria para o consumo.

Consumo desenfreado ou alienado?

“Trata-se de uma diversão de párias, um passatempo para analfabetos, de pessoas miseráveis, aturdidas por seu trabalho e suas preocupações, um espetáculo que não requer nenhum esforço, que não pressupõe nenhuma implicação de idéias, não levanta nenhuma indagação, que não aborda seriamente qualquer problema, não ilumina paixão alguma, não desperta nenhuma luz no fundo dos corações, não excita qualquer esperança a não ser aquela, ridícula de, um dia ser star em Los Angeles.

Eu diria que trata da arte mais acessível. Assim como a fotografia, o cinema ou o filme são as obras de arte ou os meios artísticos mais acessíveis às massas. Essas possibilidades vieram para democratizar a arte de modo que não são todos que podem ir ver uma obra de arte no museu na Europa, uma pintura, por exemplo. E de tão acessível, torna-se o único modo de transcender a imaginação através do entretenimento. Benjamim diz em seu texto que a arte exige concentração e as massas procuram diversão, o cinema veio para unir de uma vez por todas esses pensamentos: Diversão e concentração.

Até aqui, nada de muito novo, a arte continua sendo reproduzida por meios certos e não, para difusão da cultura e enriquecimento de uma classe, sendo vista como aceitável e não. Mas o que nem Benjamin nem Chaplin esperavam era que com os adventos das tecnologias a arte seria acessível e suscetível de reprodução caseira pelo computador e pela internet. Cada humano possuidor de um computador ligado à internet pode fazer o Download de filmes e/ou imagens de obras artísticas e imprimir em sua impressora doméstica e assistir o filme sem gastar praticamente nada ou ao imprimir uma imagem colocar em uma moldura e pendurá-la na sua sala. E isso é, talvez, o ápice da reprodução e da reprodutibilidade da obra de arte, ao passo que como tantas tecnologias o homem está a passos largos de uma nova produção artística, sem deixar as antigas de lado, ou seja, a arte digital está ganhando espaço, tomando o cinema, que hoje, de tantos efeitos especiais acabam se tornando uma nova possibilidade artística, inteiramente produzida por máquinas, que trabalham dia e noite dando a nós, humanos do século XXI, idéias do que será a arte dos próximos séculos não se abstendo, porém, das já antigas formas de arte. No lugar de pintura teremos os hologramas e no lugar de esculturas os robôs, mas os filmes continuarão e todas essas obras serão reproduzidas e serão suscetíveis e passíveis de reprodutibilidade técnica. E então o final do discurso de Chaplin que diz: (...) Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós(...). E isso fará todo o sentido pois quando a ciência unida ao progresso levar-nos à arte, então a plena democracia da arte estará para o povo.

Bibliografia:

Benjamin Walter, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade Técnica.

www.mundoeducacao.com.b

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