sexta-feira, maio 31, 2013

Machismo


Eu já não tenho muita paciência. E aí algumas pessoas provocam.

Eu gosto das reuniões da comissão de Retiro porque posso falar e desabafar com amigos machistas sobre o machismo deles e eles nem me batem. Posso falar sobre o machismo alheio sem me preocupar muito, porque eles me conhecem.

“Históricamente” falando o homem é o centro das atenções, já que as sociedades mais antigas eram patriarcais. Já que o homem caçador era o mais importante até porque ele comia crus os animais que caçava, plantava e colhia as sementes e também comia tudo cru (ironia).

Instintivamente a mulher dependia do homem.  Lógico. Além da caça, os homens tinham uma outra função: sacerdócio. Parece-me que em todas as religiões, mas nas pagãs, já diriam os Judeus, as mulheres também poderiam ser vistas como “sagrado”. Às vezes como oráculos, como deusas, mas isso só nas pagãs, que também não tirava da mulher a obrigatoriedade de servir aos homens.

E aí, digamos que as sociedades “evoluíram”, mas ainda ouço palestras em que a mulher deve estar em casa perfumada, linda e maravilinda esperando o sr. Chegar em casa para devidos fins instintivos e de procriação. Como se a união de homens e mulheres fosse somente isso, para este fim.

Seguindo a evolução, nas mais difíceis localizações geográficas do mundo, homens ainda não lavam os copos que bebem água porque isso é uma obrigação da mulher. E ainda nas mais altas cadeias de poder de grandes empresas os homens podem desempenhar mesma função que as mulheres e ainda assim ter o salário mais elevado. Bom, isso não acontece nos cargos públicos, à saber a “presidenta” da república que já foi “estudanta”,  recebe o mesmo que o ex presidente, mas acrescentamos o salão de beleza.

BELEZA, e nessa ditadura (ditadura=3 poderes sob domínio de uma instituição) que vivemos, de ser bela, bem sucedida e bem casada nos encontramos sob domínio de quem? Quem inventou isso, pelo amor de Deus? Não foi Deus, eu tenho certeza, ele está mais preocupado com outra coisa.

Mulher é um bicho estranhamente competitivo, seriam elas as inventoras da ditadura triangular?

Ou seriam os homens?
Não, neh? Eles estariam muito ocupados assistindo ao futebol, trocando pneu do carro.

Não sou feminista, heim?! Jamais queimaria um sutiã. Também não estou dizendo pra vocês mulheres não serem submissas aos vossos maridos. Mas é aos vossos maridos. Aqueles que em comum acordo, sob orientação divina, escolheu você para caminharem juntos com o fim de representarem a relação de Jesus e a Igreja.

E sobre o dia dos namorados, e essa pompa toda de várias mulheres solteiras estarem desesperadas etc. Ainda é melhor ser aquela que representa a Igreja (noiva) esperando o noivo do  que ser aquela que casou errado e olha pela janela vendo a estupidez que fez.


Karol Flegler

quinta-feira, maio 23, 2013

Anjo de neve


Não muito depois, conheci uma pessoa, mas não gostei a princípio. Na verdade, não conheci pra não gostar mesmo, e ao ver todos em torno dele, quase que o confundi com o próprio sol. As pessoas orbitavam o “anjo” visitante que apareceu por essas bandas em fevereiro de 2012. O retiro passou, foi ótimo, um dos melhores que conseguimos organizar... já tínhamos 5 anos de comissão organizando retiros. No fim, quando já não havia mais o que fazer, sentei-me estive a conversar com alguém que não conhecia sobre as coisas mais profundas que eu escondia. Foi essa pessoa com nome estranho, de fala cativante e super ego que dá título a esse capítulo. Um estranho, em muitos sentidos me fez lembrar das coisas mais importantes que deixei passar e viriam à tona nos próximos dias. Missões, meu chamado, meu futuro. Estranhamente foi dando entrada, sem pedir licença, sem avisar... Do mais, eu disse que as invenções e as tecnologias um dia me fariam bem, de certo modo, pra manter contato com o estranho precisei delas, e nesse momento, desconfio que elas me deixaram na mão. Mas enfim, o que posso dizer hoje 03 de Março de 2012, é que conheci uma pessoa especial, mas que de certo modo é incerto dizer algo agora, não sei se tem sentimento, mas tem borboletas no estômago.
Tenho que contar que ele me mandou essa música:

Desconhecida
Até eu ouvir sua risada
Maluquice
Porque você é tudo que eu estou procurando
É um prazer
Foi bom ter te conhecido
E eu vou lembrar de nunca te esquecer

Porque quando eu estou animado
Eu não escondo isso, só para você saiber
Eu estou te sentindo
Do fundo à superfície
Como eu poderia não parar para dizer um "Olá"?

Então, Olá
Como você está? Maravilhosa
É bom finalmente te conhecer
Eu estive esperando pacientemente
Estava esperando só para te ver
Para dizer que eu sonhei com você
Agora te achei, então pare a procura
Porque eu encontrei minha desconhecida

Desconhecida
Até que eles te chamam pelo seu nome
É maravilhoso
É apenas algo simples
Vejo você andando
Mas não vá muito longe
Posso estar nervoso
Quero estar onde você estiver

Porque eu encontrei minha desconhecida
Eu encontrei minha desconhecida

E aí encontrei uma música que falava dele e posteriormente faria muito sentido: “Anjo de Neve”. Os dias foram passando e boas notícias vinham, de saudade, de como foi bom me conhecer, etc... até o momento que ele me perguntou se eu estava disposta a deixar rolar. Eu prontamente e envolvida disse sim. Seguidos torpedos de “bom dia” “boa noite” e sonhe comigo, “sonhe com o anjo” se deram ao longo de 4 meses. No dia do meu aniversario eu recebi uma ligação, mas não vi o cel tocando, no outro dia então ouvi a voz tão esperada. Ouvir sua voz era ter o coração disparado e cada vez se criava em mim a vontade de ter um aparelho de teletransporte. Ligações à longa distancia, eu quis ter o abraço dele naquele dia. E meses foram se passando, contávamos sobre o dia, compartilhávamos interesses, até que de repente um torpedo informando que haveria uma ausência. Uma ausência? Um tempo. Estávamos há estados de distancia, física e uma distancia enorme de experiência vivida.

Ele Curitiba e eu em Cariacica. Ficamos semanas sem contato. Era uma época que eu viajava muito por conta da Universidade e agora, fazia também viagens missionárias pra lugares distantes. Sentia falta. Mas ele não dava sinal de vida.

Então, viagem marcada pro Nordeste. Dei por encerrado o assunto, mandei uma mensagem via facebook agradecendo pelas conversas que me levaram onde eu estava. Contato feito, retorno de torpedos.  Nos 10 dias que passei por lá, enviava meu diário por torpedo. Muitas coisas aconteceram na viagem, inclusive a descoberta que talvez eu seria tia de verdade, a notícia de falecimento de um amigo querido que estava com câncer e que eu havia visitado dias antes da viagem. Era tudo muito louco. Foi tudo muito intenso, muitas ideias e uma certeza: Era aquela vida que eu queria.
De volta, ainda no aeroporto do Rio, mais um torpedo que dizia:”parece q tem um mês que você está viajando”. Minha vontade foi pegar um voo pra Curitiba. O contato agora estava reestabelecido.

Voltamos aos torpedos. Dia a dia, ia pensando, imaginando o dia em que o veria outra vez e seria como um sonho. Como um pote de nuttela.

Passando-se os meses, eis que houve uma promessa de visita, de encontro. Semanas antes, contávamos os dias, horas. Na noite anterior à chegada não dormi. Dia 18 de Dezembro de 2013 vinha voando o anjo por quem orava durante quase 9 meses, orava por sua vida, sua proteção, etc. Naquela manhã, fazia sol, e eu com uma alergia sem fim. Fomos ao aeroporto, eu, Priscila, Dani e Jorge. Talvez não citados aqui, mas de extrema importância na história da minha louka vida louka. O dia era quente, meu coração disparava, nem mesmo anos de concentração de desdobramento da personalidade conseguiram disfarçar minha ansiedade. Finalmente, o encontrei. Esperando no desembarque, um abraço. Depois de muitos cumprimentos ele segurou minha mão. Tão simples. Voltávamos pra casa, de mãos dadas. Aquele dia estava mesmo muito quente. Todos esperavam por ele, iam visitá-lo, entre risos e conversas, um beijo no rosto.  No outro dia, depois de um dia de trabalho e aula, fomos à sorveteria, conversamos e ele mais falou. Eu vidrava no sorriso e ficava imaginando como seria o restante daquela história toda. Ao me trazer em casa, já tarde, ele fez a pergunta, ajoelhou na rua, e depois da resposta positiva um beijo. Eu era a garota mais feliz da galáxia.

No outro dia, ele veio conversar com mamãe. Nada muito intenso, minha mãe tinha outras preocupações. Fomos jantar na casa de amigos, Rafa e Perseu. Quase entrevistas. Quinta, culto e o anúncio de que o que era esperado por todos há quase 4 anos era real, eu estava namorando. Saímos com os amigos e muitas fotos. No outro dia a despedida. Quando nos veríamos outra vez? Ele ia pra casa dos pais, passar as festividades de fim de ano e férias de janeiro. Falamos-nos pela internet, por telefone. Eu pensava que ia começar a escrever um livro novo, e que esse seria só um passado. Eu estava bem envolvida, talvez tenha dito as coisas mais bonitas que poderia ter dito pra alguém. O sorriso dele era a coisa mais bonita que havia visto, desenhava por toda parte. Nas artes plásticas não se faz muitos sorrisos, por conta da dificuldade em fazê-lo. Concentrou-se toda beleza de anos de história da arte em um só.

Boas notícias, eu o veria antes do esperado, ele viria à Vitória para uma campanha do KC. Fui encontrá-lo na ferroviária, meu coração disparava. O veria dias seguintes e outros não. Completamos um mês de namoro e trocamos chocolates. No dia de sua volta, pouco tempo nos restou e não com tantos entusiasmos. Mais uma despedida. E não mais nos veríamos. De Vitória para Minas, de lá pra Curitiba. Passou o carnaval e ...
O QUE HOUVE?

Houve um distanciamento, Curitiba era mesmo muito longe. O coração dele também e nada que eu fizesse ou falasse alcançaria. Não havia saudade de verdade. Aos 3 meses, depois de umas D.R’s principalmente de minha parte, e digamos que essa seja a parte mais complicada. Ele não queria minha visita, nem meu sentimentalismo. E eu não queria sua estranheza. Foi então que depois de duas longas conversas via skype, ele terminou nosso romance. Não seria suficiente pra ele e nem ele pra mim. E desde então, nunca mais houve torpedos, nem mensagens nem coração disparando. E dois meses depois nada havia mudado desde então, daí resolvi escrever.

 Karol Flegler

domingo, maio 05, 2013

E no mês da família...


Suspeita. Não devia falar, mas não é só eu que penso assim. Aliás, é o que muitos querem dizer.
É que, bom... Não fomos criados, digo, educados com muitos sentimentos. Uma chefe, uma vez me disse que eu não entendia nada sobre HIERARQUIA. Talvez sem muitas autoridades sobre nós, crescemos e nos formamos seres complexos e muitas vezes difíceis de lidar. No meu caso é autoridade masculina que é problema. Enfim - Autoridades.

Talvez minha geração tenha problemas demais. Não sei por que, mas parece que a maioria das  pessoas que tem quase a mesma idade que eu, mora em um contexto parecido, tem problemas. Disse uma vez para alguns deles que somos “milagres” alcançados pela graça e misericórdia de Deus, se não fosse isso, não consigo imaginar algo positivo em nós. Isso nos inclui em uma infância problemática no seio da família. E até acho que se vivemos isso é para ajudarmos a outros que não tem tanta disponibilidade para sanidade mental.

Do que estou falando?
Se dependêssemos de nossa relação familiar para sermos bem sucedidos ou pessoas sadias mentalmente, dificilmente seríamos. Quantos de nós não vivenciamos violência doméstica? Crises de alcoolismo, armas, separações, amantes, filhos fora de casamentos, vagabundagens de membros das famílias, rejeição, abandono? Quantos não viram tudo se perder diante dos próprios olhos e mesmo assim continuaram firmes?
Como disse, educados sem sentimentos. Nós nos esforçamos, mais ainda quando estamos na convivência eclesiástica. Por que aprendemos sobre o amor, o perdão etc... mas não estamos imunes aos pensamentos e sensações de não sentir apego familiar. Quem disse que é fácil? E que gostamos de ouvir sobre famílias? Mas é preciso, eu sei. E como me disseram, quem sabe ouvindo sobre o assunto as coisas não mudam? 

Hoje recebi a notícia de que meu avô está muito mal. Doeu, não Por ele, mas porque não sei mais quem ele é. Aquelas vivências de infância são de outra garota, não minhas. Eu sei que não sou a única a me sentir assim. Ouço várias pessoas falando de como se sentem a respeito de suas famílias.
Enfim, que Deus nos ajude.

Karol Flegler