segunda-feira, novembro 24, 2014

Um lance assim, meio Romero Britto.


É bom considerar o fato de quem é Romero Britto e as últimas afirmações do indivíduo: “Arte precisa vender, e eu vendo”. Britto é aclamado como artista por muitos populares e criticado por muitos do mundo das “Artes plásticas.” Por mim, ele é considerado um cara que, como ele mesmo diz, vende. De fato as obras de Romero são encantadoramente doces e práticas e simples e vários adjetivos que não dariam às obras de grandes artistas. Pra mim, é só mais um cara que vende. E ao considerar esses fatores que descrevo em poucas linhas, resumo que o que ele faz não é arte, mas vende, assim como panos de pratos.

Levando em consideração uma frase que recebi hoje: “Na arte do amor eu sou o Romero Britto. De fato, faz parecer que foi eu quem escreveu, mas não. Há mais pessoas, que assim como eu, não curtem Romero, nem a relação entre ele e o amor. Bom mas vamos começar pelo fim do penúltimo relacionamento e o começo de último. Estava eu indo e vindo me perguntando sempre: o que há de errado comigo. Eu sempre fiz tudo errado mesmo, não “escolhi esperar”, nem orei ... e quando eu finalmente o faço, o que acontece? Um término pelo skype. Estava triste, carente e decepcionada.

Foi nas primeiras semanas do inverno que tudo começou, eu como sempre de bus, despenteada voltando da UFES, encontro na fila um conhecido de longa data, mas que não tinha contato. Entramos no bus, bem longe, e durante a viagem, eu me perguntava: ”foi ele quem quebrou meu dedo na terceira série?”. Resolvi mandar um torpedo. Pausa. A nossa única conversa foi quando eu perguntei sobre um desenho e ele me passou o número. O Torpedo dizia: Foi você quem quase quebrou meu dedo na terceira série. Ele respondeu: “Claro que não. Nem lembro.” E daí por diante uma série de torpedos. Nem lembro sobre o que, mas era sobre a vida. Estudávamos na mesma faculdade, com o curso muito próximo. Eu artes visuais e ele Artes plásticas. Assuntos em comum, vida parecida. Tínhamos assunto. Duas semanas depois ele me deu um desenho que eu havia pedido: um girassol. Animada com a nova possibilidade de conquista, me deixei levar (mais uma vez).

Naquela época eu era zuada de solteira, e um dia, em um casamento, uma noiva inventou de me chamar pra tirar foto “baba baby” com todos os padrinhos do seu casamento. Motivo para um torpedo. Outro dia um atendente de lanchonete me disse: “moça, você sempre vem aqui sozinha, precisa trazer seu namorado.” Motivo para outro torpedo que levou a uma resposta: ”você pode usar meu status do face se quiser.” Foi então que eu disse:”Não se preocupe, um dia alguém vai querer namorar comigo de verdade, não como fake”. E aí... visitas e encontros e ... Chegou o dia em que ele trouxe um envelope. Pensei que fosse mais um desenho, mas não era só um desenho. Era um pedido de namoro em desenho, com espaço pra dizer sim ou não. E eu disse sim, desenhando.

E aí, começamos a namorar em um dia de azar, dia 13. Não sei se foi azar ou sorte. Por um tempo foi sorte, depois não. Bom enfim, continuando a história... Mesma faculdade, mesmo horário, íamos, almoçávamos e voltávamos juntos. Nossas manhãs eram de toddynhos e chá matte gelado e trocas de kinder ovo. Era uma relação saudável.


Fomos a um show juntos, o que dá música pra essa história:
A Estrada
Você não sabe o quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas antes de dormir
Eu nem cochilei
Os mais belos montes escalei
Nas noites escuras de frio
Chorei, ei , ei
Ei! Ei! Ei! Ei! Ei!
A vida ensina
E o tempo traz o tom
Pra nascer uma canção
Com a fé do dia a dia
Encontro a solução
Encontro a solução
Quando bate a saudade
Eu vou pro mar
Fecho os meus olhos
E sinto você chegar
Você chegar
Psicon! Psicon! Psicon!
Quero acordar de manhã do teu lado
E aturar qualquer babado
Vou ficar apaixonado
No teu seio aconchegado
Ver você dormindo
E sorrindo
É tudo que eu quero pra mim
Tudo que eu quero pra mim
Meu caminho só meu pai
Pode mudar
Meu caminho só meu pai
Meu caminho só meu pai
Together, Together

Estávamos no auge da minha paixão. Curtimos o show pagando de “casalsinho”. Fazíamos várias outras coisas de casal, tipo visitar parentes doentes e catar coisas velhas da rua pra fazer reciclagem, ou também levá-lo ao hospital quando estava doente. Cuidar das coisas dele como se fossem minhas. Tivemos um inverno quente. Nossos amigos eram em comum, na faculdade, na igreja, onde quer que fosse. Tudo era comum, tudo estava bem, éramos um casal, que como Romero Brito diz, vende. Muitos apoiaram e alguns não. Ouvi poucas e boas por que era uma situação delicada, meu novo amor era um ser diferente, pensava diferente e ainda assim conseguiu ser igual a todos os outros. O que vem ao caso nesse parágrafo é que: ele me fez uma tatuagem. Não simples, mas uma coisa que marcou a minha vida: um girassol. Eternamente grata por eternizar na minha pele o desenho que moveu minha vida. Eternamente, disse eu? Quem dera não ter que olhar pra ela e lembrar-se do que tudo isso significou no meu mundo.

Eu finalmente entendi o que poderia ser amor. Dar sem esperar receber, fazer por amar, ser paciente, bla bla bla ... e bom... Durante um tempo foi. Entre crises e muitas poucas brigas, algo mudou. Não sei, só sei que foi assim, e pra quem se via todos os dias e tinha assunto pra não ter hora pra dormir, agora já não havia muito o que dizer nem fazer, eram as razões sociais que fazia com que fossemos vistos  juntos. Lanches, festas, passeios, estávamos juntos, mas ele não estava comigo. Até que aquela paciência do amor se foi, e comecei a cobrar posturas prometidas e comprometidas. Mas a “culpa” foi minha. Vendi pra mim mesmo uma imagem de um relacionamento que não era. Vendi pra mim mesmo, me fiz crer que era bom, que tinha futuro e que...

Quando você coloca “Guernica de Picasso e ao lado de uma obra de Britto você vê a diferença. Você percebe que o Romero Britto é um idiota por se comparar com Picasso. 

O que eu tinha era uma peça de Romero Britto, bonita, aceita, vendável, mas não era arte, ou em outras palavras não era um relacionamento. Estava namorando sozinha. E bom, isso durou o que? Um ano e 2 meses.

Por mais que Britto defenda suas obras, que muitos gostem e eu tente me descabelar pra explicar por que não é arte ele vai continuar vendendo e as pessoas vão continuar iludidas e muitos vão curtir as muitas próximas obras e eu vou continuar dizendo que não são obras de arte, por que quem é de verdade sabe quem é de mentira.


Karol Flegler

sábado, março 15, 2014

Arte e não arte

Fui desafiada.
Pra começar a falar desse assunto e se fazer entendida é preciso traçar uma linha histórica da arte pra explicar a que ponto chegamos. Vou tentar resumidamente fazer isso pra que o leitor não se canse.

Mas quando foi que começamos a dar nome de arte? Foi um pouco depois do renascimento. Nada antes era arte. Era outra coisa.

Acontece que o homem das cavernas começou com isso tudo. Através de seus ritos espirituais, capturando imagens de animais e as pintando nas cavernas, fez registro de sua passagem pelo planeta. Depois da pré-história, chegamos às grandes civilizações e suas grandes construções, e por fim, os egípcios. Aí nós temos mais um marco importante, a começar pelo cânone, regras estabelecidas para as imagens a serem registradas, a saber, o corpo era pintado frontal e a cabeça de perfil. Esculturas rígidas, e nada disso era arte. Ou pelo menos os artífices só obedeciam ao faraó, entregavam suas encomendas. (Tal qual...)

Seguindo, temos para história do ocidente mais outras duas grandes civilizações Grécia e Roma. A religião era a grande função da vida dos cidadãos, é na Grécia que se fala em democracia, início dos jogos olímpicos arquitetura de ponta e nada de arte. Na Grécia os artífices também ficavam por conta de esculpir deuses e deusas, construções de grandes templos, pinturas em ânforas, e ainda temos Pompéia, onde foram descobertos alguns afrescos com certa perspectiva.

O próximo grande marco é o declínio de Roma, crescimento do Cristianismo, que nos dão nomes aos próximos períodos do que HOJE chamamos de arte. Pinturas nas paredes eram os primeiros vestígios de que a imagem era usada para o ensino dos iletrados cristãos convertidos. Trezentos anos depois temos o cristianismo como religião oficial do império, e com isso os cristãos passam a reunir-se em templos chamados basílicas, edifício de arquitetura simples por fora e mosaicos por dentro. Muitos mosteiros e iluminuras depois, vamos chegar aos vitrais góticos e esculturas esguias nas portas das igrejas e também os “gárgulas” em suas enormes torres. E é muito provável que aqui os artífices comecem a assinar suas obras.

Séculos e séculos se passam e os artífices são invadidos por um conceito cultural social que invade a Europa, o Renascimento. A religião não era o centro, o homem era. Isso vai se refletir nas produções dos artífices, mas ainda se tem encomendas, seja do poderio papal da igreja ou dos burgueses, os agora artistas respeitam códigos, tratados e entregam encomendas de projetos arquitetônicos, pinturas, esculturas e etc.
 E então com a reforma protestante, a igreja se vê capaz de exagerar, o barroco. A forma curvilínea, o teatro, a luz e sombra e a companhia de Jesus, os Jesuítas.

E o rococó? A burguesia que já não tinha interesse nas promessas de vida após a morte por meio das obras, já não tinha tanto medo do inferno, se lançam sobre a vida frívola dos amores, passeios, e isso tudo registrado por artistas que já frequentavam escolas de arte.

E daí em diante algumas tendências estéticas surgiram,
o neoclassicismo, realismo, impressionismo, expressionismo, futurismo, cubismo e esse modernismo todo fez os artistas, em sua maioria donos de si mesmos, de suas obras, de seus pensamentos, suas expressões. Quem mandava aqui era o artista. Sobreviveram. 

Mas o que me impressiona é o dadaísmo de Duchamp, que fadigado de séculos de artistas, se posicionou contra o sistema de arte de elite e agora em um museu coloca um mictório de cabeça pra baixo, assinando com outro nome, aqui nós temos o read made, as grandes manifestações durante a guerra e também pós guerra. Temos questionamentos profundos sobre quem é o artista e o que é arte. 
Temos Monalisa de bigode e tantas outras coisas importantes pra arte moderna e contemporânea, até chegar em Pollock com expressionismo abstrato, sua ruptura com a pintura, usando outro tipo de pincel, temos a action painting, a pintura gestual, a performance. É tanta coisa! Passamos pelo concretismo, o surrealismo, pop art, op art, a land art, o grafitti e chegamos à contemporaneidade. Já estávamos nela desde os anos 60 com a pop arte desafiando a Arte a ser popular, acessível e democrática.

Chegamos a Romero Britto. Considerado artista por grandes empresas multinacionais. Pelo governo brasileiro e por pedagogas.
Fazendo a arte ser acessível, popular e democrática. Nesse caso, ela está nos sapatos, nos copos, nas capas de cadernos. Isso porque a imagem dele é simples, entendível, banal.

Não tem reflexão, não tem expressão. É fofa d+ pra ser arte. Na arte tem sangue, ela pulsa, envergonha, esclarece, joga na cara. Faz a gente não querer ver algumas vezes, bate de frente com nossa hipocrisia de democracia, de movimentos sociais. Ela estuda a vida, desafia o corpo.  A arte é um palavrão.

O que ele faz não tem nada haver com a acessibilidade de arte para leigos e democracia.Não tem nada haver com a popularidade Andy Warhol.

O que faria uma obra ser popular e alcançar todos os públicos? Seria um milagre em escala mundial. Não é possível agradar a todos, a arte não é pra agradar. Não é só pra ser bela, mas também pode ser. Não é arte com A maiúsculo como diria Gombrich.

Mas essa é a minha opinião, que não tem importância nenhuma. 


Karol Flegler

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Formar



Há quem diga que formar na federal é o sonho de todo ser humano estudante. De fato, como diria o rei do camarote, formar na federal pode agregar valor. Esse texto não é baseado em nenhuma pesquisa, mas na convivência com seres que passaram anos estudando na federal e que ao terminar se encontram no desespero de responder a pergunta que todos fazem: E depois da faculdade?

É como se perguntassem: O que há depois da morte? 

A expectativa é grande: Pós. Mestrado. Doutorado. Alguns desses dependem de um EMPREGO. Emprego, aquele que não poderia ter por ter uma carga horária diurna (no caso de alguns cursos, como o de artes). Então, a opção são os estágios e bolsas que tem o prazo de 2 anos no máximo, sem perspectiva de contratação, já que alguns casos não valem como experiência profissional, e as contratações, sobretudo as de cargos públicos deveriam se dar por meio de concurso público,  principalmente magistério, tais concursos são realizados anualmente, que não está de acordo com um calendário de greve das Universidades Federais.

A Questão é continuar na Universidade. Mas, como? Mestrado. Mas não há vagas para todos. A seleção natural de Darwin diz que só os fortes sobrevivem. É claro que a universidade não pretende formar uma classe trabalhadora, mas pesquisadora. Mas a pesquisa... pra que pesquisa, se a oferta de emprego na classe operária está bombando? 

Alguns, não conseguindo empregos em suas respectivas áreas, procuram outras áreas que nada tem haver com o que passaram no mínimo 4 anos de suas vidas estudando; Pra que a formação acadêmica?

O sistema engole alguma parte dos formados que estudaram anos, ali passam anos com diploma na gaveta sem fazer diferença alguma pra sociedade. Cumprindo seu papel de empregado diplomado, ganhando dinheiro e devolvendo ao sistema.

A gente estuda pra ganhar dinheiro, ganha pra gastar como aquilo que o serviço público não é capaz de suprir. Survive. 

Karol Flegler

sábado, janeiro 04, 2014

Acordei escritora

Vai entender. 

Então, na vida se vive pelas prioridades erradas. Principalmente as garotas. Talvez seja culpa da Disney e todos os seus contos de finais felizes, já que a vida real não tem muito haver com todas as histórias que vimos quando crianças. Não tem mesmo. Não tem sapo que vira príncipe, não tem príncipe que salva a princesa, nem ... quais são as histórias mesmo?

Um toque de realidade com a fada madrinha é necessário. Aquele que a fada gira a varinha, fala algumas palavras mágicas e *plin*. Bem vinda ao mundo real. 

De repente sua vida social gira em torno do seu novo relacionamento. Festas, amigos, conversas... o seu novo mundo precisa ser equilibrado com o seu velho mundo de amigos solteiros, com as mesmas brincadeiras etc. Equilíbrio, não é fácil. Isso não se mostra em contos de fadas. Como disse anteriormente, as fadas não sabem contar.

 De certo modo, essa fase tem me ensinado algumas coisas, talvez eu esteja amadurecendo já que minhas últimas relações eram bem infantis e não tinham peso por conta da idade, afinal, que eu me lembre, a última vez que pensei em casar eu tinha 17 anos. E agora com 25 quase 26, e com um comentário sutil de virada de ano me fez pensar que eu deveria já estar pronta pra vida adulta. De fato, ainda não estou. Não terminei a faculdade, não sei o que eu quero ser quando eu crescer, embora eu já tenha idade pra isso. Talvez pra algumas pessoas a maturidade seja tardia, porém completa. 

É claro que os últimos acontecimentos me deixaram confusa, e a falta de experiência tenha me deixado na mão. O que quero dizer é que por mais que eu tenha namorado algumas vezes durante a adolescência, e saiba de todos os rituais sequenciais de um namoro, eu tenha esquecido e desacostumado com algumas verdades sobre relacionamentos. Conversei com algumas pessoas pra saber se eu estava em meu estado normal. Tive respostas. As mesmas de sempre: “É ASSIM MESMO”. Não sabia se me conformava ou se entre eu e o mundo eu pudesse estar correta em não me conformar com algumas coisas. 

Enfim, nunca fui de escrever pensamentos sobre relações enquanto estava apaixonada (e estou), só depois de um término ou decepção, mas a verdade é que agora, mais do que nunca, estou preparada pra entender que a relação a dois jamais será um conto, mesmo que eu queira viver uma boa e bela ilusão de filmes de romance. A boa relação é aquela que dura o tempo suficiente pra que, mesmo não estando apaixonados, o amor e o companheirismo sejam suficientes. Pode parecer medíocre a principio, mas é a melhor das opções. No fim, seremos nós e dentaduras, conversas e cores, muitas cores.

 Karol Flegler